Vivemos hoje em um momento bastante conturbado na humanidade, e isso, direta ou indiretamente interfere nas organizações, fazendo com que as mesmas tenham que repensar suas estratégias, rever seus processos, reordenar seus rumos, ou seja, buscar soluções alternativas para a convivência e o enfrentamento das crises, de modo a que não se vejam na iminência em ter que encerrar suas atividades.
São inúmeros os fatores e as circunstâncias que podem levar ao desencadeamento e a instauração de uma crise no ambiente das organizações, desde as questões conjunturais e estruturais do mercado em que estão inseridas, bem como a economia, seja em nível global, seja em nível local, as mudanças políticas, a insegurança jurídica nos países, os conflitos internacionais, as alterações no meio ambiente, dentre outras variáveis.
Identificar as origens e as raízes das crises, compreender adequadamente a dimensão dessas crises, são fundamentais no sentido de adotar ações de caráter preventivo e proativo, evitando agir de forma reativa, no calor da emoção, o que às vezes, pode, ao invés de resolver o problema, agravá-lo, com tomada de decisão equivocada, é preciso, portanto, ter o cuidado com as medidas radicais, como por exemplo, a demissão de colaboradores.
Em determinas situações pode ser necessário às organizações precisarem de uma ajuda externa, sendo que uma alternativa pode se dar através da contração de uma consultoria externa, que, via de regra, pode ter uma visão melhor dos problemas e, desta forma, se mostrarem isentas e mais apropriadas para a formatação de um modelo de gestão de crises que seja realmente eficaz.
Assim, é importante às organizações a implementação de uma estratégia de “gestão de crise”, que é uma “ferramenta” da qual os administradores se valem com a finalidade em gerir de forma mais assertiva e com mais clareza e objetividade, frente aos problemas e obstáculos que surgem no cotidiano e que afetam os procedimentos operacionais e as atividades e, em consequência, influenciando negativamente na produção dos resultados.
A gestão de crise se traduz em instrumento a ser utilizado pelas organizações com vistas a evitar consequências mais drásticas, que podem comprometer as atividades, os objetivos e metas organizacionais e nas relações junto aos colaboradores, clientes e fornecedores.
O segmento de recursos humanos tem papel imprescindível no propósito da implementação da estratégia de gestão de crise nas organizações, no suporte ao corpo diretivo quanto à contenção dos ânimos e mediação de possíveis conflitos.
As organizações, no esforço do gerenciamento de crises necessitam de um plano prévio de ações contingentes, que seja aplicável inicialmente a mais de um fato gerador da crise. Assim, com uma medida preventiva, dá tempo de analisar a situação e pensar em novas estratégias.
O primeiro passo para se realizar a gestão de crise é entender o cenário atual da organização, os possíveis danos e impactos que uma crise causaria. É importante que esse diagnóstico seja prévio, se antecipando aos fatos como medida preventiva, sempre na lógica da visão de futuro.
Esse levantamento contribui no dimensionamento do quanto a organização está preparada para enfrentar imprevistos e quais ações devem ser implementadas para protege-la. O diagnóstico organizacional pode demonstrar suas fragilidades e potencialidades, aumentando as chances de reação positiva em decorrência das crises que, eventualmente ocorram.
A gestão de crise, quando realizada corretamente, tende a reduzir as ameaças e minimizar os efeitos de situações como essas. Nesse sentido, os gestores conseguem, juntos, enxergar saídas e tomar decisões mais rápidas.
As crises podem ser apenas internas ou ter amplitude mais abrangente, por isso, não adianta esconder dos colaboradores sua existência. Mesmo que não seja possível detalhar os acontecimentos, a transparência e objetividade são cruciais para que todos estejam cientes que pode haver mudanças.
As crises tendem a mostrar as vulnerabilidades das organizações, o que, apesar da instabilidade, soma positivo se os gestores aprenderem com os erros. Esse é um momento complexo, mas que ensina como evitar que se repitam.
A gestão de crise é, portanto, um meio sistematizado e estruturado de sobrevivência que favorece as organizações que estiverem um passo à frente e que, por conseguinte estarão devidamente preparadas para que sejam instituições sustentáveis e com capacidade de se manterem conectadas aos novos tempos e tenham perenidade.
Marco Aurélio Barbosa D’Oliveira.






