A prefeita Adriane Lopes (PP) rechaçou nota emitida pelo Consórcio Guaicurus de que a ‘solução’ para melhorar o transporte coletivo seria mais dinheiro público.
Durante agenda pública nesta quarta-feira (10), Adriane Lopes criticou o serviço prestado pela concessionária: “O Consórcio Guaicurus quer mais aporte de recursos, mas e a parte deles como concessionários? [Consórcio] tem 235 ônibus a serem trocados. Como é que eu aporto mais recursos quando está frágil o tratado, o acordo que foi celebrado com o Poder Público municipal?”, declarou.
Então, a prefeita reforçou que o serviço precisa melhorar. “Como vai aportar mais recursos se não tem benefícios para a população? 235 ônibus não venceram da noite para o dia. Foram anos sem investimento que a Prefeitura tem cobrado”, pontuou.
Aos jornalistas, Adriane lembrou que escuta da população cobranças por melhoria no serviço de transporte público. “Hoje Campo Grande não tem um transporte público de qualidade. A população tem me cobrado continuamente. Eu saio nas ruas de Campo Grande e ouço: ‘Prefeita, lembra do Consórcio, nós temos transporte ruim’”, detalhou, ao lembrar que 70% dos usuários do transporte coletivo são mulheres.
Por fim, a prefeita reforçou que até sexta-feira tomará uma decisão sobre a intervenção no Consórcio Guaicurus. A medida foi sugerida pela comissão especial que fez auditoria no contrato de concessão e também foi recomendada no relatório final da CPI realizada no ano passado, na Câmara Municipal.
Após a comissão especial da Prefeitura decidir pela intervenção e ‘fechar o cerco’ ao contrato de concessão do transporte coletivo de Campo Grande, o Consórcio Guaicurus reconheceu as falhas apontadas na auditoria e insistiu na tese de que a solução seria mais dinheiro público.
Em nota oficial disparada após o relatório final da intervenção, o grupo que detém contrato bilionário volta a defender a tarifa técnica de R$ 7,79 — que é alvo de disputa na Justiça. “O transporte público de Campo Grande sofre com um descompasso estrutural crônico entre a tarifa técnica (o custo real do serviço) e a tarifa pública paga na catraca, agravado pela ausência de subsídios integrais para o custeio de gratuidades garantidas por lei”, diz, em trecho da nota.
Vale ressaltar que a concessionária deve receber cerca de R$ 70 milhões da Prefeitura de Campo Grande somente neste ano.
Dois pontos apontados como críticos no relatório que pediu pela intervenção do Consórcio Guaicurus destacaram as mais de 15 mil ocorrências de atrasos nas linhas e o alto índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular, que passaram de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.
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