Birra, irritação e sono alterado: confira dicas para facilitar volta às aulas em Campo Grande

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As escolas municipais de Campo Grande e estaduais de Mato Grosso do Sul voltam às aulas na próxima segunda-feira (9). Em casa, os responsáveis por estudantes já se adiantam para preparar o retorno à rotina, com horários mais rígidos, menos tempo de tela e dedicação aos estudos.

A readaptação pode levar até um mês, e a palavra-chave para facilitar esse processo é ‘acolhimento’. Principalmente para as crianças menores, a dica da psicopedagoga Carla Pacheco é que os pais estejam presentes e atentos aos comportamentos dos pequenos, mas não deixem de impor limites.

“Podem começar a voltar à rotina um pouquinho antes das aulas. Por exemplo, o horário de acordar e se alimentar, além de estimular práticas diferentes do excesso de telas, com atividades um pouco mais calmas, como leitura e contação de histórias”, explica a especialista.

Mesmo assim, alterações de humor, irritabilidade, desânimo e até birras nas primeiras semanas são sinais normais. “O que os pais precisam estar atentos é o quanto isso vai demorar. Passando de quatro semanas, já é um sinal de alerta”, diz a psicopedagoga. Nesse caso, a indicação é procurar ajuda profissional.

A campo-grandense Joana Policarpo, autônoma de 27 anos, é mãe da Alana, de 6 anos, e do João Miguel, de 5. Ela afirma que os impactos do vaivém das aulas são sentidos por toda a família. “A gente [ela e o marido] tem que ter mais tempo e os nossos horários têm que mudar também por causa da alimentação”, explica Joana.

Por um lado, os irmãos têm dificuldade de retornar ao cronograma diário. “Eles dão um trabalho a mais, no início, para acordar cedo”, relata a mãe. Porém, por outro lado, a autônoma ganha mais tempo para lidar com os afazeres de casa. “Por exemplo, a escola deles oferece café da manhã, então já não preciso preparar”, conclui.

Moradora de Corguinho, cidade distante cerca de 100 km de Campo Grande, a professora Maria Izabel Ramos viajou a Campo Grande para comprar os materiais escolares da filha. “Vou comprar caderno, estojo, lápis de cor, essas coisas. Gastamos uns R$ 200 com a viagem, mas compensa a economia nos materiais”, explica.

A menina tem 14 anos e vai começar o ensino médio neste ano. A rotina de estudo, espera a mãe, deve ficar ainda mais rígida, com aulas presenciais das 16h às 20h30. “Eu só tenho ela, então, estamos com ansiedade para ver como será esse estudo com uma parte noturna”, relata. A família mora em uma fazenda a 20 km da escola, percorridos diariamente pela estudante. “Ensino médio também é outra realidade, estamos na expectativa.”

Já Antonielly de Souza, empresária de 38 anos, tem duas filhas: uma de três e outra de 13 anos. “Eu continuo trabalhando nas férias, e elas ficam em casa. A mais velha ajuda a cuidar da pequena”, diz, sobre as mudanças na rotina da casa. A adolescente estuda à tarde, mas, mesmo assim, necessita de uma readaptação.

“Nas férias, ela fica mais no celular, dorme muito tarde, de madrugada ainda está assistindo série. Agora, tem que acordar mais cedo e fazer as atividades da escola, é complicado”, afirma Antonielly. Apesar disso, a mãe diz que não precisa de um longo processo antes de voltar à rotina. “Geralmente, a gente deixa pra pensar nisso um dia antes da volta às aulas”, confessa.

De duas a quatro semanas

Se quebras de rotina podem ser difíceis para os adultos, a situação pode ser ainda pior para as crianças. Elas se acostumam à rigidez da escola, ganham mais liberdade por alguns meses durante as férias, mas precisam voltar à vida normal em fevereiro.

Os mais novos levam de duas a três semanas para readaptar-se, e as crianças maiores demoram um pouco mais: até quatro semanas. “Esse tempo é necessário para reajustar todo o corpo e a mente”, explica a psicopedagoga Carla Pacheco.

No caso dos menores, as principais dificuldades são relacionadas ao corpo. “Irritabilidade, sono alterado e apetite”, lista a especialista. Já os pré-adolescentes e adolescentes têm mais reações ligadas ao comportamento. “São comuns questionamentos: ‘Por que não?’, ‘Por que tem de voltar a ser como era antes?’”, detalha. Nesse caso, o estudante pode demorar mais tempo para acostumar-se à nova rotina.

Como facilitar o retorno?

Abusar de estímulos imediatos, como os jogos de celular, pode dificultar a adaptação de volta às aulas, principalmente para crianças menores, que ainda não têm o desenvolvimento cerebral completo. Assim, pode ser uma boa ideia iniciar a transição para a ‘vida analógica’ dias antes da volta às aulas.

A psicopedagoga Carla Pacheco explica que as escolas também devem tomar medidas para facilitar o retorno. “Não é a criança e o adolescente que estão se recusando a voltar para a rotina, é o cérebro que está se readaptando a entrar novamente nesse ritmo”. Para ela, no início, podem ser evitadas atividades que necessitem de muito tempo de atenção e concentração.

Assim, nos primeiros dias, as aulas devem apostar no engajamento de estudantes. “Atividades mais curtas, mais divertidas, para que o cérebro entenda que ali também tem prazer e que a dopamina vai continuar sendo gerada e sendo prazeroso para eles”, indica a especialista.

midiamax

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